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Jung e os sonhos

Foto do escritor: Nina Marina
Nina Marina
24 de set.
3 min de leitura

O texto a seguir fala sobre os sonhos numa perspectiva psicanalítica.

Jung acreditava que o ser humano era um ser genérico, coletivo e dialético. A dialética era a arte da conversação desenvolvida por filósofos na antiguidade, mas adquiriu o significado de diálogo ou discussão entre duas pessoas para produzir novas sínteses.

Genérico, pois, como no exemplo dado em seu livro "a prática da psicoterapia" do elefante, sem a ideia de um elefante genérico, um elefante individual seria inverossímil, difícil de acreditar que fosse real se você nunca tivesse visto um ou soubesse que existem e dialético quer dizer que é um sistema psíquico que entra em contato com outros sistemas psíquicos.

Isso quer dizer que o ser humano, para ele, segue padrões coletivos e que se desenvolvem apartir do contato com outros seres humanos, buscando um senso de individualidade, buscando ser individual e esse ser individual só é possível porque é um ser coletivo.

Além disso é um ser em que o corpo depende da mente e a mente depende do corpo.

Sendo assim, o ser humano seria um ser neurótico quando desviado de seu caminho individual e quando coisas importantes ficavam inconscientes (é basicamente quando fazemos as coisas de maneira automática, sem raciocinar sobre, nem lembramos de onde surgiu tal comportamento e o porque dele).

O ser neurótico é um ser cheio de pressupostos e preconceitos, sem razão de sê-lo ("é assim porque é") e daí surgem medos, ansiedades, sintomas que nem sempre são individuais, podem ter origem coletiva e símbolos coletivos, era o que ele chamava de inconsciente coletivo e seu modo de medir esses símbolos era na análise dos sonhos.

E os sonhos contém a chave para o inconsciente, a linguagem materna de nossas psiquês. Sonhos são os impulsos vitais que se tornam parcialmente conscientes através de sequência de imagens. Pessoas mais introspectivas são, naturalmente, mais capazes de perceber fragmentos dessa sequência, que acontece de maneira autônoma e automática.

Os sonhos seriam pistas das idéias e sugestões do inconsciente do indivíduo frente alguma situação.

Os sonhos simplesmente acontecem, não são produzidos, imaginados pelo sonhador e acontecer de sonhar muito com algo pode ser a manifestação de um sintoma ou de uma parte da psiquê individual.

Nos sonhos podem acontecer tiques, que é quando se sonha frequentemente com o mesmo símbolo, ou então surgir a figura da anima ou animus, que são parte da psiquê, uma da psiquê masculina e outra da feminina.

Os sonhos seriam, portanto uma porta de entrada para a compreensão do inconsciente para Jung.

Atualmente, entende-se que o sonho é “uma tentativa inconsciente de encontrar uma solução para uma preocupação emocionalmente relevante. Nos sonhos, as pessoas pensam sobre suas principais preocupações, particularmente aquelas que não conseguiram resolver apenas com o pensamento consciente, e tentam desenvolver e testar planos e estratégias para lidar com elas” diz Gazzilo et. al. (2020). Eles sugerem, ainda, que os sonhos a) estão ligados com a vida consciente do sonhador; b) são experiências ordenadas, não aleatórias; c) desempenham alguma função psicológica importante.

Jung foi um psicanalista e seus estudos são celebrados até os dias de hoje como revolucionários dentro da psicanálise, mesmo este tendo afirmado não ter realizado estudos sobre os sonhos, mas falando sobre os mesmos em seus estudos de caso, abrindo espaço para uma nova maneira de enxergar conceitos e sintomas. Viveu em uma época conturbada, conheceu Freud e discordou dele em vários aspectos dentro da psicanálise, mas também reconheceu a importância de seus estudos em muitos outros.

Além de Freud estudou muitos outros psicanalistas e deu sua contribuição com o estudo da simbologia e o processo de Individuação dentro da coletividade.

O estudo dos símbolos ganhou força com suas teorias e prática e são reconhecidos mundialmente e

atualmente o esforço dos psicanalistas, em relação aos sonhos, é investigar a relação de sonhos, psicopatologia e processo psicoterapêutico.


Referências

Jung, Carl Gustav. A prática da psicoterapia: contribuições ao problema da psicoterapia e à psicologia da transferência, 13. ed. Petrópolis - RJ. Vozes, 2011. ISBN 978-85-326-0634-1

ROESLER, Christian. Jung’s theory of dreaming and the findings of empirical and clinical dream research. Journal of Analytical Psychology, v. 70, n. 5, p. 764-786, 2025. DOI: 10.1111/1468-5922.70011. Disponível em: https://doi.org/10.1111/1468-5922.70011. Acesso em: 21 set. 2026.

 
 
 

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